Por Ângelo Emílio da Silva Pessoa, em 08 de março de 2021.

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Em 1894 iniciou-se um escândalo na França, que envenenou a sociedade daquele país e as suas instituições por muitos anos.
Por uma soma de conveniência política, autoritarismo e interesses escusos, realizou-se um julgamento militar completamente viciado e forjado, a fim de culpabilizar um oficial do Exército apenas por sua ascendência judaica e porque isso convinha aos donos do poder.
Seu nome era Alfred Dreyfus. Durante anos, a grande mídia e os setores mais conservadores conseguiram manter aquela sentença absurda e injusta.
Mas a força da verdade prevaleceu e, depois de mais de uma década, Dreyfus foi definitivamente inocentado e os responsáveis por aquele abuso acabaram na lata de lixo que a história reserva aos pusilânimes de todos tempos e lugares.
Em 1898 o grande escritor Emile Zola publicou o célebre “Eu Acuso”, no qual, com grande coragem cívica, denunciou todo o tipo de abusos cometidos em nome da “pátria” e outras fabulações que mal conseguiam disfarçar os interesses mais escusos e sombrios daquela sociedade e a hipocrisia de boa parte que fingia acreditar naquilo que sabia que era a mais deslavada mentira.
Em 08 de Março de 2021, a verdade está em marcha.

Ângelo Emílio da Silva Pessoa
Professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba.
